Jovem nadador de Leiria entre as maiores promessas da natação portuguesa, Rodolfo Alecrim, de apenas 14 anos, foi incluído pela Federação Portuguesa de Natação na restrita lista dos dez jovens talentos a acompanhar em 2025. O atleta do Clube Náutico de Leiria tem-se destacado a nível nacional graças a um percurso recheado de conquistas e recordes.
Em 2024, Rodolfo brilhou nas provas de piscina curta, estabelecendo três novos records nacionais: 25,17 segundos nos 50 metros livres (infantil A), 51,92 segundos nos 100 metros livres (juvenil B) e 59,54 segundos nos 100 metros estilos (juvenil B). Estes resultados confirmam o seu estatuto como uma das principais promessas da nova geração da natação em Portugal.
Treinado por João Paulo Fróis, o jovem nadador alia talento natural a uma ética de trabalho elogiada por quem o acompanha de perto. A distinção agora atribuída pela federação é vista como um reconhecimento merecido e um sinal de que o futuro da natação portuguesa pode mesmo passar por Leiria
O que te fez apaixonar pela natação?
Os meus pais decidiram colocar-me na natação muito cedo, eles sentiram que era uma questão importante para a minha segurança.
Conforme fui crescendo, fui sendo puxado para as competições e acho que foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Comecei a trabalhar com pessoas novas, fiz novos amigos e a cada treino, o “bichinho” ia crescendo cada vez mais.
Como foi receber a notícia que foste um dos 10 jovens talentos a seguir em 2025 na natação?
Foi uma grande surpresa. Em 2024, eu tinha visto a lista e pensei: “Também gostava de estar aqui”. Este ano, quando vi o meu nome em primeiro lugar na lista, fiquei bastante feliz e orgulhoso, é um reconhecimento de todo o meu trabalho e esforço diário. É um motivo de enorme orgulho para mim.
Sentes que os jovens têm sido mais reconhecidos no desporto e na natação?
No início, havia muitas pessoas a praticar natação, mas depois, com a pandemia do Covid, muitos desistiram e o desporto acabou por ser um pouco posto de lado.
Agora, depois do Covid, mais pessoas voltaram à prática desportiva. No entanto, sinto que, em Portugal, só se dá grande atenção ao futebol e quando surgem novos talentos na natação ou mesmo noutras modalidades, nunca são tão reconhecidos.
Ainda assim, as pessoas têm vindo a dar mais importância à atividade física, até mesmo na sua vida pessoal e isso traz outro tipo de reconhecimento, além de abrir novas oportunidades para o desenvolvimento do desporto no nosso país.
Pretendes fazer isto de forma profissional ou tens outros objetivos futuros?
Vou agora para o décimo ano e vou seguir o curso de Ciências e Tecnologias. No futuro, gostava de trabalhar numa área ligada ao desporto, porque é realmente aquilo de que gosto, sem nunca abandonar a natação.
Na natação, gostava de fazer carreira durante mais alguns anos, mas, quando estiver mais velho e já não conseguir competir, vou continuar a ir à piscina dar umas braçadas, sem qualquer compromisso, porque é dentro de água que me sinto verdadeiramente bem.
É difícil conciliar os treinos com os estudos?
É complicado, e este ano foi particularmente mais difícil, porque às segundas, quartas e sextas tenho treino e, para não faltar às aulas, tenho de treinar logo de manhã cedo, antes da escola, e depois, ao fim do dia, volto a treinar novamente.
A cada ano que passa, também há mais exigência na escola, mais testes, mais trabalhos de casa e mais apresentações. Torna-se complicado, mas tenho uma turma espetacular, porque eles emprestam-me sempre os apontamentos e os recursos das aulas.
Às vezes falto às aulas porque tenho de ir a competições e, depois, eles explicam-me toda a matéria. Eles têm sido muito importantes para eu conseguir ter um bom desempenho académico.
Tens algum tipo de ritual ou superstição a fazer antes da partida?
Por acaso, tenho uma mania. Sempre que é uma prova importante e quero bons resultados, a meia tem de ser preta. Tenho sempre de levar meias pretas.
Não nado com elas, mas tenho de ir para lá com meias pretas, e também tenho de levar sempre o fato de banho laranja para o aquecimento.
Antes da câmara de chamada, a minha rotina é ouvir música. Fico ali, na minha, a ouvir algo que me faça distrair e descontrair, tipo um funk, para me divertir e soltar.
Quando estou atrás dos blocos, naqueles segundos antes de ouvir o apito, chega um momento em que, ao pisar o bloco, já não penso nem ouço nada. A minha mente fica vazia. O mesmo acontece quando estou a nadar, vou de cabeça vazia, quase por instinto, já nem penso no que estou a fazer. Sempre que vou competir, procuro essa sensação de estar com a mente vazia e apenas a nadar, como se estivesse a voar.
Quais são os teus objetivos para o futuro?
Daqui a duas semanas vou participar no Festival Olímpico da Juventude Europeia. É como se fosse uns mini Jogos Olímpicos da Europa para jovens da minha idade. No caso da natação, é apenas para jovens de 15 anos. O meu objetivo é conquistar uma medalha, mesmo que seja de terceiro lugar.
Ao longo do ano, consegui manter-me, em termos de ranking europeu, entre o segundo e o terceiro lugar. Neste momento, estou em quarto, porque algumas pessoas competiram este fim de semana e melhoraram um pouco os seus tempos, o que influencia a classificação na tabela, no entanto, tenho estado sempre no top 5, e o objetivo agora é conquistar o pódio.
Para o ano, gostava de fazer o mínimo necessário para o Europeu de juniores, mesmo ainda sendo juvenil.
O Mundial já é um pouco mais exigente, mas daqui a três anos, os Jogos Olímpicos em Los Angeles são o grande objetivo futuro.
Que conselho podes dar aos jovens que estão a começar?
Têm que se divertir. Mais do que querer ser o maior ou fazer a melhor competição, têm de desfrutar do processo. Ir aos treinos todos os dias, estar lá com os colegas e com o treinador, porque o treino vai ser difícil, mas têm de ir, de estar presentes e cumprir.
Nada dura para sempre, e a única coisa que vão relembrar mais tarde são as memórias que criamos e os amigos. Não são os resultados que ficam na nossa memória, mas sim as experiências e os momentos que vivemos através do desporto.
