Viajamos até Pombal para desvendar os segredos de um dos seus maiores símbolos: o Castelo de Pombal. Mais do que uma fortaleza medieval, este monumento é o ex-libris da cidade e um ponto nevrálgico da sua identidade e turismo. Para nos guiar nesta jornada, falámos com Nelson Pedrosa, Chefe da Unidade de Turismo do Município de Pombal.
Nelson Pedrosa revelou como a ancestralidade Templária e as lendas populares se fundem com a modernidade das intervenções de conservação, e o que está a ser feito para garantir que o Castelo continue a ser um Castelo para todos. Prepare-se para conhecer o passado que define o presente de Pombal.
De que forma o castelo contribui para a promoção cultural e turística da cidade de Pombal?
O Castelo de Pombal não é apenas um monumento, é o nosso ex-libris, e está profundamente associado à identidade da cidade! É a ele que devemos a nossa origem. Erguido no século XII, no contexto da reconquista cristã, desempenhou um papel fundamental na defesa e consolidação da fundação de Pombal e Portugal.
Enquanto Monumento Nacional, o castelo é alvo de diversas dinâmicas que visam valorizá-lo não apenas como património, mas também como símbolo da identidade pombalense. Paralelamente, a sua ligação à Rota Napoleónica recorda-nos o impacto das invasões francesas e reforça a importância de promover e preservar esta memória histórica.
Atualmente, está integrado na Rota dos Templários, o que nos permite criar sinergias com outros municípios. E porque neste castelo “as pedras falam”, mas cabe-nos a nós dar-lhes voz. Ao longo dos últimos anos, temos vindo a investir não só em obras físicas como a intervenção de 2005, que tornou a Torre de Menagem visitável, mas também em novas estruturas de apoio, acolhimento e interpretação, que permitem oferecer uma experiência de visita cada vez mais completa e enriquecedora.
Que lendas ou curiosidades estão associadas ao castelo?
Nos documentos mais antigos em latim, o Castelo de Pombal surge referido como “Castro Palumbari”. A ele está associada a lenda do mouro Al Pal Omar, que remontará aos primórdios da nossa nacionalidade, época em que os Templários lutavam contra os mouros.
Conta-se que este mouro possuía um palácio subterrâneo localizado no monte onde hoje se ergue o castelo, e que mantinha um vasto harém. Diz-se ainda que todas as jovens de Pombal se apaixonavam por ele.
Durante a passagem dos Templários pela região, os habitantes de Pombal pediram ajuda para se libertarem do domínio desse mouro. Assim, numa noite de agosto, travou-se uma batalha. Contudo, sendo astuto, Al Pal Omar escondeu-se no seu palácio subterrâneo. Para que nunca mais pudesse sair, o Castelo de Pombal foi erguido sobre esse local. Até hoje, a tradição popular afirma que, durante a noite, quem percorre a mata do castelo pode ainda ouvir o mouro a cantar:
“Vem, minha linda menina, meu encanto quebrar;
sou mouro teu amigo, que te quer namorar.”
Existe ainda outra lenda que remonta ao século XII. Ao passar por este território, ao olhar para o altaneiro castelo, um rei [certamente Dom Afonso Henriques] avistou um grande conjunto de pombos pousados nas ameias e terá dito: “Ai, que formoso pombal!”, originando assim o nome Castelo de Pombal.
Embora os pombalenses não apreciem a associação da cidade aos pombos, a verdade é que, desde a sua origem, o pombo esteve sempre presente na identidade de Pombal.
Como a comunidade local participa na valorização do castelo?
O Castelo de Pombal é o monumento principal do concelho e, felizmente, existe uma forte ligação da comunidade, não só ao castelo mas também à mata envolvente.
As pessoas gostam muito de visitar o espaço e de partilhar as suas histórias. No entanto, durante alguns anos, a população esteve de costas voltadas para o monumento devido ao seu estado de abandono. A intervenção realizada em 2005 veio devolver o castelo à cidade, marcando um ponto de viragem.
Desde então, houve uma grande preocupação em criar novos acessos e estruturas de apoio, de forma a dinamizar cada vez mais o castelo e a sua envolvente. Um exemplo desse esforço foi a criação do Mercado Medieval, que hoje é um evento de referência a nível regional.
Para além disso, têm sido desenvolvidos outros projetos, como o Castelo com Vida, peças de teatro, caminhadas e várias iniciativas que aproximam a população do património. Trata-se de um conjunto de ações que têm dinamizado a zona e, felizmente, os resultados são visíveis, com o número de visitantes a crescer de forma contínua.
Como é garantida a autenticidade do castelo ao mesmo tempo que se fazem intervenções modernas de conservação?
Os municípios são dotados de equipas multidisciplinares que seguem diretivas muito específicas para a preservação do património, pelo que é fundamental sermos claros quanto ao tipo de intervenção a realizar.
Em qualquer intervenção numa estrutura centenária, torna-se necessário realizar uma pesquisa aprofundada, sobretudo no que diz respeito aos materiais a utilizar. Estes devem consolidar ou ser semelhantes aos originais e, sempre que seja necessário recorrer a materiais contemporâneos, deve existir uma identificação clara dos mesmos.
Por exemplo, na última obra realizada para permitir o acesso à Torre de Menagem, surgiram várias críticas devido à utilização de uma estrutura metálica. No entanto, foi essa a solução que possibilitou que a torre se tornasse visitável.
Assim, qualquer intervenção deve respeitar a identidade do património, sempre tendo em consideração as questões da acessibilidade. O nosso castelo pertence a todos, e é nesse sentido que procuramos constantemente melhorar, para que seja, de facto, um castelo para todos.
Existem alguns projetos futuros para o Castelo de Pombal?
No início de outubro, teremos uma atividade de observação de estrelas e, como no dia 7 de outubro se celebra o Dia Nacional dos Castelos, preparámos uma semana especial com diversas visitas e atividades para os nossos visitantes.
Ao nível dos projetos, passámos a integrar a Rota dos Templários e a Rota Napoleónica, duas temáticas em que Pombal tem uma forte relevância histórica. O nosso objetivo é capitalizar todo esse conhecimento através da tecnologia e da valorização do castelo. Para isso, estamos a desenvolver estruturas que, no futuro, nos permitirão oferecer uma interação mais rica aos visitantes e proporcionar uma melhor experiência de interpretação da Torre de Menagem.
