Líder do Grupo Litro e criadora do Chafalo, Zélia Marques transformou uma conversa de Natal num fenómeno de vendas nacional. Nesta entrevista, exploramos como o irreverente chapéu de chuva com pega de cerâmica, uma homenagem marota à tradição das Caldas, conquistou o país e as redes sociais, provando que o sucesso empresarial também se faz com humor e muito orgulho nas raízes locais.
Como surgiu a ideia de criar um chapéu de chuva com um falo na pega?
Esta ideia surgiu num jantar de Natal, em família. Surgiu essa brincadeira de fazer algo mais arrojado e de acordar a cidade com algo diferente. Daí, eu e o meu filho começámos com a brincadeira de onde é que iríamos colocar o falo nas Caldas, e surgiu a ideia do chapéu. E pensamos “porque não encher uma rua das Caldas com estes chapéus?”
No início foi um drama, mas agora está tudo bem. Tivemos logo a necessidade de fazer o registo da marca “Chafalo” e encher as Caldas de Chafalos. A brincadeira pegou e, neste momento, temos loja online e física. É uma ideia com muitas pernas para andar, até já temos o Chafigo, que é um figo no cabo de um chapéu, tudo em cerâmica feito por artesãos das Caldas.
Eles trabalharam o molde exatamente à medida e ergonomicamente, como nós queríamos. É tudo feito aqui, por pessoas das Caldas, para ajudar a dinamizar a cidade. É uma homenagem à cultura local.
Quanto tempo demorou a desenvolver o primeiro modelo?
Demorou cerca de seis meses a desenvolver a peça e a adaptá-la exatamente como queríamos até ao lançamento. Depois, para não chocar muito as pessoas ao colocar logo na rua e também até que as entidades públicas o permitissem, começámos por colocar aqui na esplanada do Camaroeiro, porque o espaço é nosso. Começámos a brincar por aqui e foi isso: começou no Camaroeiro e acabou na Rua da Liberdade toda e arredores.
Neste momento, já temos alguns pontos de venda no país. Estamos em Lisboa, Bragança e em Faro, e temos a loja online também a trabalhar.
O Chafalo noutros pontos do país causou um choque?
Não, antes pelo contrário. Inclusive, há cerca de um ano, fomos convidados para participar numa palestra no IPV de Viseu, em que falámos sobre a marca e sobre o crescimento exponencial que a marca teve em tão pouco tempo. Nós estivemos ao lado de um Licor Beirão, portanto já é qualquer coisa.
Tem sido muito giro ver este desenvolvimento, porque nós não estamos a ir para o lado da malandrice, mas sim para o lado da brincadeira, uma brincadeira marota.
Como reagiram as pessoas mais próximas quando viram o chapéu pela primeira vez?
O meu filho está sempre comigo, ele entra basicamente em todas as brincadeiras, as minhas filhas não tanto, mas, depois, toda a gente acabou por dar a mão à palmatória e acharam a ideia engraçada. A vida já é tão pesada que nós tivemos a necessidade de brincar com algo, e o brincar, às vezes, passa por te rires e achares piada.
As entidades públicas aqui das Caldas acharam gira e engraçada a ideia. Fico muito feliz que o Chafalo tenha aparecido na plataforma Cidade Vibrante, com o prémio de pequeno comércio tradicional. É giríssimo chegar aqui ao sábado e ver as pessoas a tirar fotos, a olhar para a rua e até mesmo o facto de existirem excursões para visitar esta rua. As pessoas notam a diferença quando vieram estas tempestades tivemos de os retirar e as pessoas sentiram logo a falta, porque é a cor e o movimento.
O que sente ao ver pessoas a usar algo que criou?
Acho giríssimo, eu própria ando com um chapéu, e temos, aliás, muitos estrangeiros a comprar o chapéu. Tivemos de adaptar e criar um chapéu mais pequeno que possa ser levado nas malas de viagem. É um orgulho enorme ver o quão longe esta ideia chegou.
