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Maria Santos: uma vida pintada à mão na história da Molde

Há histórias que se constroem com tempo, dedicação e talento. Maria Santos entrou na Molde em 1989 e tornou-se uma das mãos que deram cor e identidade a peças que viajaram pelo mundo. Nesta entrevista, recorda o seu percurso, as técnicas artesanais, os materiais e os momentos que marcaram uma vida inteira dedicada à cerâmica das Caldas da Rainha.

Como foi a sua história na Molde?

Eu entrei em 1989, um ano depois da fábrica abrir. Quando me inscrevi fiz um teste, pintei algumas peças de relevo, para saber se me adaptava ao departamento da pintura ou não. No fim fui uma das escolhidas e fiquei a trabalhar na secção de pintura. Foi um trabalho que eu gostei muito de fazer. 

Tem alguma história engraçada no seu tempo na Molde?

Ao fim de três anos na empresa, o meu contrato terminava e, como não necessitavam de tanta gente, recebi a carta de despedimento. No dia seguinte, o meu patrão chamou-me ao escritório e afirmou: «Gostamos muito de si e não queremos que saia». Rasgou a carta à minha frente, e, dado que gostava do trabalho que fazia, decidi continuar. 

Como era o processo de pintura?

Na pintura de loiça utilitária, como pratos, canecas e pires, aplicávamos diversas técnicas de decoração. A pintura com relevo era comum, assim como o traçado a carvão sobre a peça meio cozida, que depois recebia tinta e cozedura final. O decalque, por seu turno, envolvia molhar o papel em água quente, posicioná-lo na loiça e eliminar toda a humidade com espátula antes da cozedura.

Mas nós não escolhíamos a técnica que íamos utilizar, tínhamos de pintar conforme a técnica pedida na encomenda.

Quais eram os materiais utilizados para as loiças?

Inicialmente produzíamos loiça em terracota, barro vermelho poroso que exigia isolamento rigoroso para evitar absorção de água e o efeito craquelé (fissuras), seguida de faiança, um barro branco mais delicado. Atualmente prevalece o grés, material mais resistente, que já não precisa de ser selado,  bastando lixar bem para evitar riscos.

As tintas, eram feitas no nosso laboratório para garantir a qualidade dos materiais e para ser mais fácil criar quantidades maiores sempre que necessário.

Como era o processo de encomenda?

O processo de encomenda começava com o cliente a aprovar os designs, seguido do pedido formal. A designer adaptava o trabalho às especificações, passava para modelação onde se criavam amostras enviadas ao cliente para feedback; só com aprovação positiva a produção era lançada.

As nossas loiças podiam ir todas ao micro-ondas, à máquina de lavar e ao forno. Nós tínhamos um laboratório dentro da fábrica para controlar todos os materiais.

Nós exportávamos para todo o lado: Estados Unidos, Noruega, Alemanha e uma vez até enviamos para o Japão.

Alguma vez viu alguma das suas peças em casa de outras pessoas?

Havia muitas associações locais que iam buscar algumas peças para as quermesses das festas populares, e uma vez numa festa eu vi que tinham algumas peças da Molde. Quando eu virei a louça vi que tinha lá a minha marca, sempre que acabávamos de pintar uma peça tínhamos de a marcar. Foi um momento muito engraçado, poder ver o meu trabalho fora da fábrica.

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