Há profissões onde o detalhe faz toda a diferença. Com 33 anos de experiência como pintor automóvel no polo de Torres Vedras, Otávio Carolo acompanha cada viatura desde o primeiro dano até ao momento em que volta a parecer nova. Nesta conversa, partilha o rigor do processo, a evolução da tecnologia e o orgulho de ver um trabalho bem feito.
Como é o dia a dia de um pintor automóvel?
O meu dia a dia é passado em volta dos carros. Começo por verificar todos os danos que o carro tem, preparar todo o material que vou precisar e, depois, inicio a preparação do carro em si. Tenho de isolar tudo e levar o carro para a estufa. Só então começo a pintura.
No fim, verifico se ficou tudo bem, faço os acabamentos necessários e entrego o carro ao meu colega de bate-chapa para ele montar as peças.
Qual é a etapa que dá mais trabalho?
A preparação, porque requer muita atenção. É preciso colocar todas as peças no sítio certo e, por vezes, até endireitar partes do carro, para que, no fim, pareça novo. Essa fase exige mais cuidado e precisão.
Existe alguma técnica especial para pintar os automóveis?
O processo é praticamente sempre o mesmo. Temos formação para seguir o mesmo procedimento em todos os carros. Há, no entanto, cores mais difíceis de trabalhar do qu outras, por exemplo, os tons de vermelho. Mas, com 33 anos de experiência, já estou habituado e quando gostamos do que fazemos, tudo corre bem.
As novas tecnologias têm afetado o trabalho?
Sim. Já existe uma máquina que faz a leitura das cores, por exemplo, assim como a possibilidade de ter a aspiração a funcionar em simultâneo enquanto estamos a lixar. São alterações que vão surgindo, que tornam o trabalho mais eficiente. Antigamente, pintávamos o carro com um primário e demorava dois dias a secar, agora começamos de manhã e ao fim do dia está praticamente pronto. Os produtos mudaram muito, mas para melhor.
Quantos carros ficam prontos num dia?
Depende do tipo de trabalho e também da quantidade, mas cerca de 2 a 3 carros por dia.
Qual a parte que mais gosta?
Gosto de tudo! Gosto de olhar para o carro no início todo torto, endireitar e no fim olhar para o carro pintado como se fosse novo. Ver o resultado de um trabalho bem feito deixa-me orgulhoso.
